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31 março 2011

Sobre o reconhecimento e valorização dos profissionais da Animação sociocultural

O artigo publicado no blogue "Animação Sociocultural e Insularidade" por Albino Viveiros(*)  com o título "Reconhecimento Profissional: Os nossos argumentos também são os argumentos dos outros" apresenta um conjunto de ideias que não posso deixar de subscrever e apoiar.

Escreve Albino Viveiros que "O reconhecimento profissional é uma problemática transversal a outros sectores profissionais. Os Animadores não estão sós na luta pela dignificação social da profissão." Esta falta de reconhecimento profissional não é exclusiva dos Animadores Socioculturais.

Esta situação é extensível a outros grupos profissionais que desenvolvem a sua acção nas áreas da intervenção social e cultural. É o caso, entre outros,  dos  técnicos de Serviço Social. A propósito disto, Albino Viveiros relata que uma das oradoras de uma conferência, realizada na Madeira, sobre Serviço Social  "recordou os principais pontos de descontentamento que curiosamente são semelhantes no contexto do exercício profissional dos Animadores. O exercício da prática de Serviço Social por outros profissionais sem formação adequada e remunerações que não estão equiparadas às habilitações académicas dos técnicos de Serviço Social, a proliferação desregulada de formações em Serviço Social, foi outra das preocupações manifestadas pela docente."

Há algum tempo que defendo que as questões do reconhecimento e valorização profissional dos profissionais da Animação Sociocultural poderão ser facilitadas pela convergência de esforços com outros grupos profissionais que actuam em áreas similares e que se confrontam com problemas semelhantes.
Outra das afirmações de Albino Viveiros, que igualmente subscrevo, prende-se com a necessidade de os Animadores Socioculturais interiorizarem "que o reconhecimento profissional também se conquista pelo bom exercício da prática da Animação Sociocultural, pelo empenho na dignificação individual e colectiva da profissão. Estas são premissas que cada um deverá cultivar no quadro da intervenção institucional e comunitária. A dignificação profissional também é uma conquista quotidiana e de profunda persistência no acreditar que é possível mudar. Esta crença não vigora por meio de um qualquer decreto legislativo, ela é um exercício pessoal e intransmissível."

Ainda que possa ser importante possuir Estatutos e Códigos Deontológicos que enquadrem a profissão de  Animador Sociocultural é no rigor técnico e na qualidade do nosso trabalho enquanto Animadores Socioculturais que reside a chave para superarmos os problemas que afectam a nossa actividade profissional.


* Albino Viveiros é licenciado em Animação Sociocultural e desenvolve a sua actividade profissional na Região Autónoma da Madeira onde, também tem vindo a desenvolver um importante trabalho na procura do reconhecimento e valorização da Animação Sociocultural. 


Este artigo foi publicado em simultâneo no blogue Anijovem e no blogue do Portal Anigrupos.

19 janeiro 2011

Estatuto e código deontológico do Animador Sociocultural

Após ratificação por aclamação no I Congresso Nacional de Animação Sociocultural "Profissão e Profissionalização dos/as Animadores/as" , que decorreu em Aveiro no passado mês de Novembro,  resultado da aprovação por unanimidade em Assembleia-geral da APDASC - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sociocultural, estão disponíveis para o público o Estatuto do/a Animador/a Sociocultural e o  Código Deontológico do/a Animador/a Sociocultural.

A aprovação destes documentos pode vir a revelar-se importante no processo de afirmação da Animação Sociocultural. Mas para tal processo considero indispensável que aqueles que exercem funções na área da Animação Sociocultural prossigam colectivamente esforços concertados no sentido de contribuírem para um reconhecimento social do valor da animação enquanto metodologia de intervenção nos âmbitos e nos contextos em que estes profissionais desempenham as suas funções.

Há muito que entendo que se a Animação Sociocultural não for devidamente valorizada pela sociedade dificilmente obteremos o reconhecimento institucional, profissional e político da nossa actividade. É certo que muito mudou nas últimas três décadas no nosso país no que à Animação Sociocultural respeita. Registaram-se avanços muito significativos ao nível da formação com a certificação ao nível do ensino secundário e superior para o exercício da função. Mas entendo que continua a verificar-se uma subvalorização da nossa profissão face a outras com que nos cruzamos no nosso trabalho em contextos sociais, culturais e/ou educativos.
E convém não alimentar demasiadas ilusões porque não acredito que se possa decretar o valor de uma actividade profissional.
Publicado em simultâneo no Blogue do Portal Anigrupos e no Blogue Anijovem

05 novembro 2009

Do Something


Incentivar e apoiar a participação social dos jovens. Este é um dos objectivos essenciais que desde há décadas enformam as políticas internacionais e nacionais para a juventude. A concretização deste objectivo tem dado origem à criação dos mais variados instrumentos, programas e acções. "Do Something" é um exemplo oriundo dos Estados Unidos que descobri recentemente.

Num tempo em que os jovens cada vez mais gravitam em torno das tecnologias de informação o projecto "Do Something" sustenta-se num site internet onde de um modo interactivo se sugerem iniciativas que os jovens podem desenvolver sozinhos ou em grupo, em casa, na escola, num grupo de jovens em torno das mais variadas problemáticas: Guerra, paz e Políticas; Protecção dos Animais; Ambiente; Direitos Humanos, Discriminação; SIDA e Sexualidade, Saúde, Educação, Pobreza; etc..

"Do Someting" divulga projectos desenvolvidos por e com jovens. E concede, também, apoios financeiros para a concretização de projectos desenvolvidos por grupos de jovens, para os quais a plataforma internet disponibiliza um diversificado conjunto de ferramentas.

Para os interessados "Do Something" está aqui!

30 outubro 2009

20 Propostas Jovens para Portugal


O CNJ - Conselho Nacional de Juventude lanço a poucos dias das eleições legislativas de 27 deSetembro um documento designado "20 Propostas Jovens para Portugal" que resultou de da recolha efectuada em todo o país por esta organização de juventude propostas e opiniões de jovens de diferentes tendências políticas e diversos gostos.

Este documento lançado em plena campanha eleitoral começa por se evidenciar por apresentar algumas propostas concretas para a definição de políticas de juventude em constaste com a quase total ausência de referências sobre estas patente nos programas eleitorais de todos os partidos políticos que concorreram àquele acto eleitoral.

Entre as propostas apresentadas neste documento destacamos a que defende a aposta na valorização e profissionalização do trabalho efectuado por animadores com jovens e com organizações juvenis, no âmbito da denominada Educação Não-Formal. Em concreto, o CNJ defende a criação de um programa de estágios remunerados e de emprego - o "INOVYOUTHWORK" - para inclusão em organizações juvenis de jovens. A defesa desta proposta assenta, de acordo com o CNJ, em orientações recentes da Comissão Europeia, nomeadamente na aposta no "Youth Work" entendido como o trabalho efectuado com jovens (ou animação socioeducativa) no âmbito da Educação Não-Formal, "forma de educação realizada fora da escola por profissionais ou voluntários no contexto de organizações de juventude, entidades autárquicas, centros de juventude e paróquias, que contribui para o desenvolvimento dos jovens. Juntamente com as famílias e outros profissionais, o trabalho de animação socioeducativa pode ajudar a lidar com o desemprego, o insucesso escolar e a exclusão social (...). Além disso, também é um modo de angariar compet~encias e ajudar a transição para a vida adulta. (...) Este trabalho deve ser mais profissionalizado." De acordo com o CNJ o programa "INOVYOUTHWORK" poderia ser "não só uma política activa de emprego", mas também, "um importante mecanismo de criação de capital social, traduzido no fortalecimento das organizações de juventude e da consolidação de um tecido associativo juvenil qualificado e capaz de cumprir a sua missão de educação popular, de coesão social, de lazer e de tempos livres".

A aposta na Educação Não-Formal através da valorização e profissionalização do trabalho desenvolvido neste âmbito por animadores socioeducativos parece-me uma estratégia de acção acertada para o desenvolvimento de políticas, programas e projectos direccionados à capacitação de valorização de todos os jovens e em particular dos jovens com menos oportunidades. Concordo com o CNJ quando, no documento que estamos a citar, afirma que estes trabalhadores "têm desenvolvido um trabalho com muitas potencialidades, alicerçados em projectos em que os jovens são os actores, onde são usados métodos e técnicas de Educação Não-Formal e em que a arte, a cultura e as novas tecnologias de informação são instrumentos centrais".

Esperamos que esta mensagem, e outras similares, cheguem aos decisores políticos na definição de políticas de juventude que sejam eficazes e adequadas  às problemáticas dos jovens.

O documento do CNJ pode ser consultado neste endereço.

12 dezembro 2008

We-think: O Poder da Criatividade de Massas

Na sequência de um vídeo que aqui divulguei na semana passada sobre a novas conceptualizações do conceito de cultura deixo-vos hoje um outro denominado "We Think". Ele sintetiza as ideias de um livro com o mesmo nome da autoria um especialista inglês, Charles Leadbeater, que em síntese e de acordo com o autor pretende contribuir para "podermos tirar o máximo de proveito do potencial da Internet para espalhar democracia, promover liberdade, amenizar desigualdades e nos permitir de sermos criativos, em massa".

A tradução livre do vídeo é apresentada mais abaixo.



O público está a tomar conta do palco.
Graças à Internet milhões de pessoas podem ter uma palavra a dizer.
A informação está em toda parte: blogues, vídeos, websites, wikis.
E isto é bastante confuso.
Todo o mundo está a falar ao mesmo tempo.
As ideias ganham vida quando são partilhadas.
A Internet torna-se realmente interessante quando as pessoas disponibilizam as suas ideias. É então as pessoas se tornam realmente criativas.
Porque novas ideias surgem geralmente através da conversação, do diálogo. E a Internet é um diálogo de massas. E isto está a criar uma inovação de massas.
O século XX caracterizou-se pela produção em massa para consumo de massas: fábricas, carros, televisores e frigoríficos.
O século XXI caracteriza-se pela inovação em massa: mais ideias estão a ser partilhadas por mais pessoas do que nunca.
Os primeiros sinais de que isto é possível fazer são a Wikipedia e o Linux, o Slashdot e o “Oh my News”, o “Second Life” e o “World of Warcraft”.
Milhões de pessoas estão a criar jogos, mundos, conhecimento, informação, software...
As corporações tradicionais, organizadas na forma de pirâmides, denotam grande dificuldade em lidar com estas transformações.
A inovação de massas surge de comunidades. Estas erguem-se como um ninho de pássaro onde cada um deixa a sua peça.
E porque são as pessoas atraídas para essas comunidades? Não para ficarem ricas.
Mas antes para conviver e o obter o reconhecimento pelo trabalho que fazem.
O lema da geração que cresceu com a Internet é: Pensamos e, por isso, existimos.
E isto é bom. Para a Democracia, porque mais pessoas podem expressar as suas ideias; a para a Igualdade porque o conhecimento é disponibilizado para todos e, especialmente, para aqueles que não podem pagar para o obterem; para a Liberdade porque mais pessoas podem expressar livremente a sua criatividade.
Isto soa como uma utopia e há, ainda, muito trabalho pela frente.
Como iremos proteger o que é privado? Estamos sempre seguros quando partilhamos? E se a wikipedia não passar de lixo? Como podemos saber se todas as pessoas estão a partilhar livremente as suas ideias?
No passado, as pessoas eram aquilo que possuíam. Hoje são aquilo que partilham.
O que acha de tudo isto? Deixe um comentário abaixo ...

28 novembro 2008

O QUE É A CULTURA?

"A cultura de inovação deve ser a inovação da cultura . A cultura não pode ser um luxo. É um elemento essencial para todos. Uma cultura em uma rede, sem centro nem periferia."

Partilho convosco um excelente vídeo que ilustra uma definição de cultura com a qual, enquanto animador sociocultural, me identifico... Desfrutem....

05 novembro 2008

Animação Sociocultural com Públicos “Especiais” (4)

Este é o último de um conjunto de artigos escritos com a intenção de partilhar algumas reflexões pessoais sobre o trabalho desenvolvido por animadores socioculturais com públicos constituídos por indivíduos que apresentam limitações ou características específicas (idade, deficiências, entre outras).


Uma das convicções que procurei expressar nos artigos anteriores é a de que de um ponto de vista metodológico o exercício das funções de animação sociocultural não varia significativamente em função das características dos públicos com quem se trabalha. Quando escrevemos “metodologia” estamos a referir-nos ao modo de actuar, à forma de fazer as coisas. Com estes, como com outros públicos, importa começar por recolher e analisar informação, designadamente sobre aqueles com queremos trabalhar, que permita estabelecer objectivos e fundamentar as intervenções. È, também, necessário planear e avaliar de um modo adequado. E, principalmente, é indispensável envolver activamente os nossos destinatários em todo o processo, ao longo de toda a intervenção.

Outra das minhas “quase” certezas está relacionada com o acreditar que a grande maioria das actividades a que os animadores recorrem no seu trabalho com grupos são facilmente aplicáveis a estes públicos “especiais”. Ainda que aqui e ali tenhamos de fazer adaptações às características específicas dos nossos públicos. Por exemplo, a Expressão Dramática, enquanto instrumento de animação de grupos é uma actividade utilizável no trabalho com grupos de crianças ou jovens portadores de deficiência, de idosos, tal como é uma actividade que frequentemente dinamizamos com outros públicos.

Por último é preciso ter em atenção que o trabalho doa animadores socioculturais com estes públicos “especiais” deve ter uma orientação integradora na medida em que frequentemente tais grupos são alvos de discriminação e de não integração. Trabalhar numa escola com crianças portadoras de deficiências ou num centro de idosos deveria implicar do ponto de vista da animação sociocultural um esforço no sentido de desenvolver acções susceptíveis de promover uma maior integração social destes indivíduos. Actividades que proporcionem a interacção entre estes públicos “especiais” e outros públicos parecem-me uma fórmula capaz de prosseguir tais propósitos.

21 outubro 2008

Animação Sociocultural com Públicos “Especiais” (3)

Há uns anos orientei uma acção de formação para animadores de tempos livres que exerciam a sua actividade numa instituição de solidariedade social de grandes dimensões. Entre os participantes, estava uma jovem animadora que exercia a sua função num berçário... Isto é, os seus utentes tinham idade compreendida entre os 3 e os 12 meses! Que pode fazer uma animador com estes públicos?

Uma das questões que me ocorre quando os animadores trabalham com públicos, que por uma ou outra razão, possuem limitações ao nível físico, psicológico ou emocional, sejam crianças de muito tenra idade, crianças ou jovens problemáticos, portadores de deficiências profundas ou idosos muito dependentes é que os animadores não podem, nem devem, substituir, ou tentar substituir técnicos especializados. Porque um animador não é um educador de infância, um psicólogo, nem tão pouco um terapeuta.

Este facto é tão importante para quem exerce o ofício de animador, como para quem contrata animadores. A relativa imprecisão, o carácter algo difuso, a polivalência sempre associadas ao ofício, às funções e às tarefas exercidas pelo animador podem, com relativa facilidade, levarem aqueles que exercem esta actividade e aqueles que os empregam a enveredar por caminhos que considero inadequados e, porque não dizê-lo, potencialmente perigosos. A afirmação dos animadores, no trabalho com estes públicos, não pode, nem deve ser conseguido pela realização de actividades que exigem conhecimentos especializados que o animador não possui, nem tem que possuir. A sua afirmação passa, como tentarei explicar no derradeiro artigo desta série por exercer, com tais públicos, as funções para as quais está, ou deve estar, habilitado para desempenhar.

14 outubro 2008

Animação Sociocultural com Públicos “Especiais” (2)

Que posso fazer, enquanto animador sociocultural, com as minhas crianças indisciplinadas, os meus idosos apáticos e dependentes?... E com portadores de deficiência com quem vou trabalhar?...

Estas questões surgem frequentemente em fóruns e, também, já me têm sido directamente colocadas por participantes em acções de formação para animadores que tenho vindo a orientar nos últimos anos.

Quase inevitavelmente a primeira resposta que me ocorre é que não sei! Acrescento, de seguida, que não há receitas, fórmulas mágicas, nem tão pouco actividades que possa sugerir com garantias de “sucesso”, de “eficácia”. Com efeito, os públicos são imensamente diversificados e os contextos concretos onde se desenvolvem as acções são, também, muito diferentes uns dos outros para que possamos garantir que uma qualquer fórmula, ainda que tenha resultado numa outra ocasião, é adequada para um situação determinada.

Por trás destas questões esconde-se, também e em minha opinião, uma outra ideia: de que a função, o papel do animador sociocultural é desenvolver actividades com aqueles com quem trabalha. Trata-se de uma forma incorrecta, ou pelo menos muito incompleta e limitante, de encarar o papel e as funções do animador sociocultural. Definitivamente não me revejo, enquanto animador sociocultural, na figura do “entertainer”, de alguém que dinamiza actividades de um modo avulso para “ocupar”, “entreter” os seus públicos.

Citando de cor, creio que Ander-Egg, escreveu que as actividades são, para o Animador Sociocultural, os degraus de uma escada que nos permitem subir até alcançar os nossos objectivos, os nossos propósitos de acção. Naturalmente, esta visão implica que a actuação do Animador Sociocultural ocorre no âmbito de um projecto de intervenção devidamente estruturado. E a metodologia do projecto pressupõe que se comece, não por definir as actividades a realizar, mas por conhecer e analisar a realidade em que se vai intervir de modo a detectar necessidades de intervenção traduzíveis em objectivos a atingir com a nossa actuação. Só depois disso estaremos, eventualmente, em condições de escolher as actividades susceptíveis de nos permitirem alcançar os resultados que prosseguimos.

Ou seja, e em conclusão, começaria por responder às questões colocadas no início deste artigo da seguinte forma: primeiro, antes de actividades, o que é realmente necessário é procurar identificar e definir os objectivos que se pretendem atingir, face à realidade concreta em que se vai actuar e ao publico que se pretende envolver.


(continua, dentro de dias!...)

10 outubro 2008

A formação de Animadores Socioculturais em Portugal

No essencial, subscrevo a reflexão do Professor Avelino Bento no artigo "Que relação existe entre a formação superior de animadores sócio-culturais e as suas saídas profissionais?" publicado no blogue Ex-Dra Animação, cuja leitura atenta não posso deixar de recomendar.

Partilho da opinião, por mim já expressa noutros artigos e locais, de que não é razoável coexistirem denominações idênticas (Animadores sócio-culturais) para diferentes níveis de formação: técnicos profissionais e técnicos superiores.

Mas mais do que uma questão de nomenclaturas, importa, também, referir que considero o perfil profissional definido para os alunos que concluem os cursos técnico-profissionais de animação sócio-cultural demasiado abrangente, complexo e teórico, remetendo para competências que, em rigor, dificilmente poderão ser atingidas ao longo dos percursos formativos definidos. Arrisco, mesmo, afirmar que se tais competências fossem efectivamente atingidas talvez tivéssemos de equacionar a manutenção da formação, a nível superior, de animadores sócio-culturais, na medida em que poucas competências adicionais poderiam ser adquiridas em tais cursos. Para aqueles que se interessam por estas temáticas vale mesmo a pena uma leitura atenta do documentos que pode ser descarregado neste endereço, e da qual extraí o que se reproduz, a seguir:

Descrição Geral
O/A Animador/a Sociocultural é o/a profissional qualificado/a apto/a a promover o desenvolvimento sociocultural de grupos e comunidades, organizando, coordenando e/ou desenvolvendo actividades de animação de carácter cultural, educativo, social, lúdico e recreativo.

Actividades Principais

  • Diagnosticar e analisar, em equipas técnicas multidisciplinares, situações de risco e áreas de intervenção sob as quais actuar, relativas ao grupo alvo e ao seu meio envolvente.
  • Planear e implementar, em conjunto com a equipa técnica multidisciplinar, projectos de intervenção sócio-comunitária.
  • Planear, organizar e avaliar actividades de carácter educativo, cultural, desportivo, social, lúdico, turístico e recreativo, em contexto institucional, na comunidade ou ao domicílio, tendo em conta o serviço em que está integrado e as necessidades do grupo e dos indivíduos, com vista a melhorar a sua qualidade de vida e a qualidade da sua inserção e interacção social.
  • Desenvolver actividades diversas, nomeadamente ateliers, visitas a museus e exposições, encontros desportivos, culturais e recreativos, encontros intergeracionais, actividades de
    expressão corporal, leitura de contos e poemas, trabalhos manuais, com posterior exposição dos trabalhos realizados, culinária, passeios ao ar livre.
  • Promover a integração grupal e social e envolver as famílias nas actividades desenvolvidas, fomentando a sua participação.
  • Fomentar a interacção entre os vários actores sociais da comunidade articulando a sua intervenção com os actores institucionais nos quais o grupo alvo/indivíduo se insere.
  • Acompanhar as alterações que se verifiquem na situação dos clientes/utilizadores e que afectem o seu bem-estar.
  • Elaborar relatórios de actividades.
Poderá uma formação ao nível do ensino secundário preparar devidamente para o exercício das funções e actividades defenidas neste perfil de saída? E se tal for possível que outras funções e actividades poderão ser desempenhadas por animadores socioculturais com formação ao nível do ensino superior? Tenha-se presente que os autores deste perfil não se coibiram de utilizar os verbos "diagnosticar", "analisar", "planear" e otros que remetem para funções que, inevitavelmente, exigem uma formação teórica sólida.
Não tenho, porém, a mesma impressão do professor Avelino Bento em relação à empregabilidade dos licenciados em Animação Sócio-cultural. Julgo que a mesma tem sido amplamente "disfarçada" com os estágios profissionais, após os quais os recém-licenciados enfrentam sérias dificuldades na obtenção de um emprego devidamente qualificado e remunerado, e não-precário, face às suas habilitações académicas e profissionais. Esta situação poderá, mesmo, agravar-se num futuro próximo pelo efeito conjugado de uma crise cada vez mais presente com o aparecimento de uma tendência crescente de preferência de técnicos polivalentes, naturalmente menos especializados, que possam assegurar o desempenho de múltiplas tarefas e funções. Recordo, como já várias vezes afirmei, que é esta a fundamentação teórica da reestruturação das carreiras da função pública que estará consumada no início do próximo ano.

Ainda que, e não posso deixar de o referir, e desse modo, subscrever também as afirmações que o Professor Avelino Bento faz, no final do artigo citado, de que a formação e a prática dos Animadores Sócio-culturais sempre se caracterizou pela polivalência, facto que poderá ser, deste modo, um trunfo nos tempos que se aproximam.
PS: Não sei o que dizer de não vislumbrar nos recursos pedagógicos sugeridos nos referidos referenciais de formação, nenhuma das poucas obras sobre Animação Sociocultural de autores portugueses disponíveis no nosso mercado (Marcelino Lopes ou luis Jacob, por exemplo).

09 outubro 2008

Animação Sociocultural com Públicos “Especiais” (1)

Olá, eu sou a Rita. Sou estudante em Coimbra e estou a tirar um curso tecnológico de acção social e estou a especializar me em animação sociocultural. Eu vou fazer estagio com crianças deficientes, e não tenho nenhuma ideia para a minha prova de aptidão tecnológica. Será que me podiam ajudar?

Boas, sou animador a 5 anos mas este ano comecei a trabalhar numa escola de ensino especial, onde a minha maior dificuldade tem sido arranjar uma série de actividades e jogos ( fazer o planeamento de actividades para todo o ano) para crianças com estas dificuldades ( T21,elipesia,dislexia,etc..)
Será que alguém em pode ajudar.. ;)

Bom dia a todos os colegas!
Sou a Ilda, sou animadora social e trabalho com um grupo de idosos na grande maioria dependentes. gostaria se possível e se tiverem conhecimento que me enviassem algumas actividades para este publico alvo, dado que com o tempo começo a não saber o que fazer. agradeço tudo o que me poderem disponibilizar.

Estes três pedidos foram colocados, recentemente, no fórum do Portal Anigrupos por três , suponho que jovens, animadores. Pedidos de ajuda, ainda não satisfeitos! Pedidos que me parecem constituir um estímulo para reflectirmos sobre uma questão essencial na actividade quotidiana de muitos animadores socioculturais: que objectivos e prática podemos, ou devemos, prosseguir quando trabalhamos com públicos “especiais”?

Pela parte que me toca vou meditar no assunto e, nos próximos dias, dar-vos-ei conta de algumas das minhas ideias sobre este tópico aqui neste espaço.

17 setembro 2008

Animadores Socioculturais: Técnico profissionais ou Licenciados?

Nos últimos dias ecoaram as notícias relativas à revisão global da Convenção Colectiva de Trabalho (CCT) entre a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade e a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação e outros, publicada no Boletim de Trabalho e Emprego, n.º 32, de 29 de Agosto de 2008, que reconhece a figura profissional - Animador Cultural - com o grau académico de licenciatura.

Sobre este assunto o colega Albino Viveiros produziu vários comentários pertinentes no seu blogue "Animação Sociocultural e Insularidade". Entre outros aspectos, Albino Viveiros chama a atenção para a previsível dificuldade que as IPSS (Instituições Privadas de Solidariedade Social) poderão ter em reposicionar os licenciados em Animação Sociocultural que até aqui estavam em termos salariais posicionados como técnicos profissionais. São amplamente conhecidas as dificuldades económicas com que estas instituições se debatem no presente. Por outro lado, Albino Viveiros destaca, também, alguma indefinição na legislação agora em vigor no que concerne à distinção das funções dos animadores técnico-profissionais e dos animadores licenciados.

Perante estas reflexões, que subscrevo integralmente, parece-me evidente que é de esperar que a aplicação desta convenção não traga grandes vantagens para os licenciados em Animação Sociocultural: os que já estão integrados em IPSS's poderão não vir a ser reposicionados por dificuldades orçamentais e os que procuram emprego poderão vir a ser sistematicamente preteridos face aos colegas com habilitação técnico-profissional.

Confesso que desde há algum tempo me interrogo sobre a natureza singular dos percursos formativos dos Animadores Socioculturais em Portugal. Com efeito, existem formações com idênticas designações (Animação Sociocultural) ao nível técnico-profissional (12º ano) e ao nível superior. Parece-me que tal não acontece com mais nenhuma profissão! Para perceberem a relevância da questão, imaginem, por exemplo, que existiam formações de nível técnico profissional com as designações "Educadores de Infância", "Assistente Social"...

09 abril 2008

Carrinhos de Rolamentos em Boliqueime





Passei a tarde do passado sábado, dia 6 de Abril em Boliqueime onde assisti à 2ª Corrida de Carrinhos de Rolamentos. Tratou.se de uma iniciativa de uma associação juvenil, a Associação Cultural de Boliqueime que define como propósito central desta iniciativa "restaurar uma actividade lúdica tradicional que obriga à criatividade, iniciativa e um espírito de competição salutar”. Objectivo que, e de acordo com aquilo a que assisti, foi inteiramente alcançado.




Uma iniciativa que comprova o importante papel que o associativismo juvenil pode desempenhar nas comunidades e na preservação e revitalização de tradições.

19 março 2008

Animação com idosos

Há uns meses, no decorrer de uma acção de formação na área da animação com idosos, um formando queixava-se da falta de condições para trabalhar no lar de 3ª idade onde exerce funções de animador. Em concreto, relatava a falta de funcionários da sua instituição e a consequente necessidade de exercer funções aparentemente nada relacionadas com as suas funções de animador. Confeccionar e servir os pequenos almoços aos idosos, acompanhá-los nas idas à casa de banho, etc. O resultado, na opinião deste jovem animador, era a falta de tempo, de condições, para exercer devidamente as suas funções de animador.

No decorrer da edição deste ano do colóquio "Caminhos da Animação", organizado pela Escola Superior de Educação de Beja, assisti à apresentação de uma comunicação por uma animadora sociocultural, Dra. Claúdia Galaio, que também exerce funções de animadora sociocultural num lar de idosos. Na sua comunicação esta animadora relatou que acompanha os idosos nas suas rotinas na instituição (refeições, higiene, etc.) e que ao fazê-lo está a"construir" com eles uma relação que facilita o seu posterior trabalho como animadora, na medida que essa proximidade com os idosos lhe permite obter a informação necessária para adequar a sua actuação enquanto animadora.
No essencial estes dois animadores exercem funções idênticas, aparentemente diversas das que seria espectável que um animador de idosos desenvolvesse. Mas encaram essas funções de um modo diferente. E recordam-nos um princípio fundamental em animação: mais importante do que aquilo que se faz são os objectivos que se pretendem atingir e o modo como se actua.

14 março 2008

Empregos?!

O blogue "Jumento" ilustra de modo particularmente acutilante o que se passa no mercado de emprego, no nosso país, através exemplos de duas ofertas de emprego consultadas no portal do IEFP.
Oferta de emprego para operador de supermercado:



Oferta de emprego para arquitecto:


Dá que pensar não dá?! Se isto ocorre com profissões reconhecidas (Arquitectura) o que não acontecerá com profissões pouco reconhecidas como é o caso da Animação Sociocultural?

10 março 2008

Empregabilidade das Licenciaturas em Animação Sociocultural

O colega Albino Viveros fez, em devido tempo, referência ao estudo do Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais (Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) denominado "A procura de emprego dos Diplomados com habilitação superior".

Este estudo pretende traçar um retrato da empregabilidade dos diplomados com habilitações superior a partir da análise dos inscritos nos centros de Emprego em Dezembro de 2007.

Com base nos dados daquele estudo elaborei dois quadros referentes aos diplomados com o grau de licenciatura na área da Animação Sociocultural que, para que possamos reflectir, disponibilizo para consulta neste endereço.



Que nos dizem tais quadros:
  • Que em 31/12/2007 havia 132 indivíduos habilitados com uma licenciatura em Animação Sociocultural inscritos nos Centros de Emprego. Destes 58 estavam à procura de 1º emprego e 74 procuravam novo emprego.

  • Os inscritos reportam-se a 9 licenciaturas na área da Animação Sociocultural, que entre 1996 e 2006 diplomaram um total de 757 indivíduos. Nos últimos 3 anos os mesmos cursos atribuíram o grau de licenciados a 472 indivíduos.

  • A taxa de empregabilidade dos cursos referenciados no estudo é de 82,6%, se tivermos em conta os licenciados desde 1996. Esta taxa desce para os 75% se tivermos apenas em conta os diplomados nos últimos 3 anos.

Importa olhar para os números agora divulgados com alguns cuidado.

Em primeiro lugar a relação entre desemprego e inscrições em centros de emprego não é linear, como o comprova a sistemática divergência entre os dados sobre desemprego divulgados pelo INE e os dados sobre inscritos em Centros de de Emprego divulgados pelo IEFP.

Depois os dados referem-se apenas a quem está á procura de emprego nada nos revelando sobre a natureza da ocupação ou emprego daqueles que não estão inscritos (empregos em outras áreas, estágios profissionais, prosseguimento de estudos, etc.).

Finalmente é preciso ter presente que os dados agora revelados se referem a cursos iniciados antes de 2003, e que após essa data surgiram uma série de novas licenciaturas na área da Animação Sociocultural que começarão a diplomar novos Animadores nos próximos anos.

07 março 2008

Ecos do V Colóquio "Caminhos da Animação"

Terminou no passado dia 5 de Março a edição deste ano do Colóquio "Caminhos da Animação", iniciativa uma vez mais levada acabo pelos alunos finalistas do Curso de Animação Sociocultural da Escola Superior de Educação de Beja.
Estive presente no último dia de trabalhos. Foi um momento de reencontro com a"casa" onde estudei durante quatro anos e onde fui "uma espécie" de professor outros três anos. Reencontro com uma iniciativa que acompanhei de muito perto nas suas três primeiras edições.
Este ano assumi um novo papel, como "orador", tendo apresentado uma comunicação sobre "Animação e Empreendedorismo" no âmbito de um dos painéis do colóquio. Assisti, também, aos trabalhos do último dia do colóquio, tendo retido uma mais significativa presença nos painéis de animadores socioculturais, quase todos eles ex-alunos da ESE de Beja, que ali relataram as experiências e projectos que protagonizam, hoje, nas comunidades e instituições em que estão inseridos.
Importa salientar, que esta iniciativa, tal como outros encontros que se vão realizando ao longo do ano e em diferentes regiões do país, constitui um importante instrumento no caminho de consolidar a afirmação e o reconhecimento da Animação Sociocultural.

15 janeiro 2008

"PAIS XXI" - Um projecto de educação parental

No final da semana passada, no âmbito de um Seminário promovido pela Comissão de protecção de Crianças e Jovens de Portimão, tive a oportunidade de assistir à apresentação de uma comunicação do psicólogo Hugo Cruz sobre o projecto "Pais XXI".
Jogaram à macaca, à cordinha e à cabra cega. Brincaram com marionetas. Imaginaram-se velhinhos numa fingida viagem ao futuro. Encarnaram actores e actrizes. Pode parecer estranho, mas os participantes destas actividades já ultrapassaram todos os trinta anos. São pais. E os exemplos enumerados foram experiências que destacaram. Viveram-nas no âmbito do Pais XXI, um dos poucos projectos de educação parental do país.
O projecto "Pais XXI" parece-me deveras interessante a vários níveis: uma fundamentação conceptual e teórica sólida, um modelo de intervenção claramente definido e uma prática de envolvimento activo dos destinatários. Este projecto, desenvolvido por uma equipa de psicólogos, utilizou o jogo dramático e teatral para trabalhar objectivos socio-educativos com pais. Foi realizado no âmbito do Plano Municipal de Prevenção Primária das Toxicodependências de Santa Maria da Feira promovido pela Federação das Associações de Pais e Encarregados de Educação daquele concelho do norte do país. Mais informações sobre este projecto podem ser obtidas aqui. O projecto originou um livro: "Pais - Uma experiência", que pode ser encomendado nesta ligação.
Para os estudantes e profissionais da Animação Sociocultural este é um exemplo de uma boa prática de actuação, levada acabo por profissionais de outra área, sobre a qual importa reflectir e que talvez possa ajudar a entender melhor o que o Dr. Marcelino Lopes, professor de animação e animador sociocultural, escreveu aqui.

07 janeiro 2008

Dois mil e oito

Este é o primeiro post que aqui coloco este ano. Vai daí talvez seja oportuno deixar aqui expresso um desejo para o ano que agora está a arrancar.
Desse modo gostava muito que este ano fosse marcado por uma forte participação daqueles que estudam e trabalham na área da Animação Sociocultural. Participação efectiva nas diferentes associações que têm nos seus propósitos a promoção e divulgação da animação sociocultural. Participação real nos colóquios e seminários que se anunciam para este ano nesta área. Participação activa nos diferentes espaços, fóruns e publicações susceptíveis de permitir a divulgação do trabalho certamente intenso e válido que centenas de animadores sociocuklturais desenvolvem por este país fora.
Porque continuo convencido que o futuro da Animação Sociocultural depende, em grande parte, da nossa capacidade de participar e de fazer participar.

13 dezembro 2007

Animador Sociocultural! Isso é o quê?


No longínquo ano de 1980 assinei o meu primeiro contrato de trabalho. Era a part-time e nele estava escrito que as funções que teria de desempenhar eram as de “Animador”.

Nesse tempo, e para exercer tais funções, não havia cursos. Nem profissionais, nem médios, nem superiores. A formação adquiria-se no terreno, promovendo actividades, ensaiando, errando e, às vezes, acertando. Aqui e ali frequentavam-se acções de formação que iam permitindo adquirir e aperfeiçoar conhecimentos para se poder utilizar diversas formas de expressão artística em animação de grupos (fotografia, vídeo, serigrafia, expressão dramática, etc.).

Nos meus primeiros anos como “Animador” de uma instituição fui responsável pelo funcionamento de diversos ateliers dirigidos a jovens. Em tais espaços promoviam-se actividades de sensibilização e formação inicial, de apoio à prática e de divulgação do cinema, da fotografia, do teatro e de outras formas de expressão artística. Tais intervenções visavam permitir que os jovens pudessem aprender, praticar e conhecer diferentes actividades artísticas e fundamentavam-se na necessidade de contribuir para valorizar os seus tempos livres dos pontos de vista social, cultural e educativo.

Apesar de então, como hoje, ter consciência do papel que desempenhava enquanto "Animador" senti sempre algumas dificuldades em explicar, com clareza, o que é isso de ser "Animador".

Quando me perguntavam: "Qual é a tua profissão?" e eu respondia: "Sou Animador Sociocultural" seguia-se quase sempre a questão "Hã... Isso é o quê?...". De tal modo esta pergunta se repetia que tempos houve em que optei por responder com um "sou funcionário público", resposta que provocava muito menos questões aos meus interlocutores.

Sinto que alguma coisa mudou nestes quase 30 anos... Há hoje menos pessoas a perguntar-me: "E o que faz um animador sociocultural?...". Não tenho é a certeza se a ausência da pergunta signifique realmente uma maior e melhor percepção social do que é a Animação Sociocultural e do que fazem os Animadores Socioculturais.