11 outubro 2006

Publicações On-Line sobre Animação

Incorporei, na barra da direita, duas novas ligações de utilidade para aqueles que chegam a este blogue em resultado de pesquisas sobre animação sociocultural. Desta vez, tratam-se de publicações periódicas sobre esta área.

Revista Ibero-Americana de Animação Sociocultural
Publicação on-line semestral (lançado em Outubro e Maio) que tem como objectivo contribuir para o avanço dos estudos sobre a Animação Sociocultural, nas suas diferentes modalidades, construindo um espaço de troca, prioritariamente entre investigadores de países ibero-americanos. É uma iniciativa oficial da Red Iberoamericana de Animacion Cultural e é publicado em duas línguas: português e espanhol.

Quaderns d'Animació i Educació Social
Revista on-line, com periodicidade semestral, editada por Mário Viché. Até ao momento foram editados 5 números que incluem uma quantidade considerável de artigos sobre animação e educação social, alguns dos quais de autores portugueses. A ler com atenção.

10 outubro 2006

Pós-Graduações em “Juventude e Sociedade”

O Instituto de la Juventud (Espanha) e a Universidad Nacional de Educación a Distancia (o equivalente espanhol à nossa Universidade Aberta) vão promover um Mestrado e o um Curso de especialização Universitária em “Juventude e Sociedade”.

Para os promotores, estes cursos tem como finalidade proporcionar uma “formação especializada de alto nível que permita analisar em profundidade as características da realidade juvenil e avaliar os conteúdos e lógicas das politicas existentes”.

Os cursos destinam-se a profissionais e técnicos com experiência em temáticas relacionadas com a juventude, membros de associações e organizações juvenis e detentores de cursos superiores em áreas relacionadas com a análise social, a gestão e as políticas públicas, a intervenção social, o mundo laboral ou a comunicação.

Informações complementares podem ser obtidas aqui.

Parece-me que estas formações poderiam ser um exemplo a importar para Portugal!

09 outubro 2006

Contributos para o PNJ: Associativismo Juvenil e Participação

De um modo tendencialmente dogmático as sociedades actuais reconhecem no associativismo um meio privilegiado de participação social. No que à juventude respeita o associativismo é encarado como instrumento susceptível de promover a educação cívica para a democracia dos jovens e de estimular e promover a resolução de problemas e a satisfação de necessidades. É neste contexto que os Estados contemplam nas suas atribuições o apoio ao associativismo juvenil, implementando para o efeito normativos e mecanismos que visam o enquadramento, a promoção e o apoio a associações juvenis.

Sem colocar em causa as virtudes e potencialidades do associativismo, em geral, e do juvenil, em particular, enquanto instrumento de participação social, consideramos existirem um conjunto de questões sobre as quais importaria reflectir.

- Como definir uma Associação Juvenil? Os normativos tendem a definir o carácter juvenil de uma associação com base na observância de quotas mínimas de dirigentes e associados jovens. Naturalmente esta fórmula permite um controlo objectivo dos requisitos mas dificilmente assegura o carácter genuinamente jovem da organização medido na efectiva participação dos jovens na organização, direcção e gestão das associações e no desenvolvimento de praticas susceptíveis de responder com eficácia a problemas, aspirações e interesses dos jovens. A este respeito convém não perder, também, de vista que a manutenção de um “estatuto” definido com base na idade de dirigentes e associados obriga a mecanismos de renovação permanente não facilmente concretizáveis e, que por isso, são frequentemente contornados por expedientes que asseguram a manutenção do estatuto apesar da idade já menos jovens dos dirigentes e associados iniciais.

- São os procedimentos jurídicos de constituição de associações adequados ao associativismo juvenil? Ou, reformulando a questão, poderá o associativismo formal ser genuinamente jovem? Importa ter presente que actualmente, em Portugal, é mais fácil constituir uma sociedade por quotas (Empresa na Hora) do que uma associação. A burocracia e o tempo necessários à constituição de uma associação só muito dificilmente se adequam aos jovens. Geralmente, os jovens tendem a unir-se espontaneamente e de modo informal para a concretização imediata de ideias e de projectos e dificilmente “suportam” como resposta aos seus pedidos de apoio que se devem primeiro constituir em “associação”. A este propósito deve-se salientar como positivo o reconhecimento dado pela Lei nº 23/2006 de 23 de Junho (Regime Jurídico do Associativismo Juvenil) do estatuto de “Grupo Informal de Jovens”. Mas só a regulamentação do modo de aquisição deste estatuto e de acesso aos apoios dele decorrentes (ainda por efectuar) permitirá verificar, ou não, uma maior adequação do ordenamento jurídico ao associativismo informal dos jovens. Neste aspecto, em particular, achamos que as normas devem ser simples e desburocratizadas.

- Os instrumentos e procedimentos da Administração Pública têm-se revelado adequados e eficazes no apoio ao associativismo juvenil? No âmbito governamental o IPJ implementa, há anos, o PAAJ (Programa de Apoio ao Associativismo Juvenil). Este programa será substituído, de acordo com a Lei nº 23/2006 de 23 de Junho, pelos PAJ (Programa de Apoio Juvenil) e PAI (Programa de Apoio Infra-estrutural). Não sendo, ainda conhecidos, os regulamentos destes novos programas a análise desta questão tem obrigatoriamente reportar-se ao referido PAAJ. De um modo muito resumido diríamos que este programa não contribuiu para o desenvolvimento sustentado do associativismo juvenil na medida em que os apoios através dele concedidos dificilmente poderiam, pelo seu diminuto valor médio, enquadrar verdadeiros projectos de desenvolvimento e de autonomização associativa. E isto porque na implementação do programa sempre se privilegiou a disseminação de apoios pelo maior número possível de associações e não a sua concentração em projectos associativos devidamente alicerçados e capazes de se auto-sustentarem a prazo. Outro aspecto negativo que aqui podemos apontar, tem a ver com a crescente burocratização, consequência das normas internas que o IPJ foi introduzindo ao longo dos anos. A este respeito diria que nos últimos anos a burocracia exigida pelo IPJ para acesso e utilização do PAAJ chegou mesmo a superar a de outros programas de financiamento da Administração Pública, ainda que alguns destes permitam financiamentos de montante muito superior. Um último aspecto negativo na implementação deste programa relaciona-se com o facto de aqueles a que ele recorrem não possuírem uma informação prévia sobre os montantes de financiamento (em valor absoluto e em percentagem da despesa prevista) a que podem aspirar o que, frequentemente, conduz ao desenho de projectos completamente desfasados face aos apoios disponíveis. Importa, ainda, reflectir sobre o a porta aberta pela a Lei nº 23/2006 de 23 de Junho no que respeita ao reconhecimento e apoio ao associativismo informal dos jovens. Devem estes apoios revestir preferencialmente a forma de apoio financeiro ou, pelo contrário, serem materializados na concessão de apoios de natureza logística. Esta última modalidade de apoio afigura-se-nos como mais adequada e eficaz no apoio a iniciativas e actividades protagonizadas por grupos informais de jovens.

A partir da análise das questões antes mencionadas colocaria como possíveis desafios a uma nova política de apoio ao Associativismo Juvenil as seguintes ideias:

  1. A consagração de mecanismos de efectiva desburocratização e simplificação na regulamentação dos mecanismos de acesso e utilização dos apoios a conceder no âmbito dos programas de apoio previstos na Lei nº 23/2006 de 23 de Junho, que sem colocarem em causa a efectiva e adequada fiscalização dos apoios a conceder, tenham em atenção a natureza e as características dos respectivos destinatários.
  2. A instituição de mecanismos de acompanhamento e de fiscalização da efectiva participação de jovens na concepção, execução e avaliação dos projectos associativos objecto de apoio por parte da Administração Pública;
  3. A definição prévia para cada modalidade de apoio financeiro ao associativismo juvenil dos valores máximos de financiamento (em percentagem e valor da despesa total prevista) de modo a permitir um adequado desenho dos planos e projectos das associações e dos grupos de jovens face às disponibilidades orçamentais.
  4. A concentração de uma parte razoável dos orçamentos no apoio substancial, por um período de 2 ou 3 anos, num pequeno número de projectos associativos (preferencialmente inter-associativos), de elevada qualidade e susceptíveis de se constituírem em respostas continuadas para problemas, necessidades e interesses dos jovens e das suas organizações. Exigir que tais projectos sejam devidamente justificados e fundamentados num adequado diagnóstico e que demonstrem uma potencial capacidade de auto-sustentação futura. Prever antecipadamente que as entidades beneficiadas com estes apoios a eles não possam recorrer nos anos seguintes.
  5. Privilegiar, em relação à concessão de apoios financeiros directos, a criação e manutenção de estruturas de apoio logístico às iniciativas de grupos informais de jovens aproveitando recursos disponíveis no IPJ (instalações, equipamentos, recursos humanos) e construindo redes de parcerias capazes de aproveitar, com sinergia, recursos existentes noutros organismos, serviços e instituições. “Ninhos de Associações” e “Centros de Apoio à Criação de Jovens Artistas” são exemplos possíveis deste tipo de estruturas.


    Nota: Contributo colocado na página do Programa Nacional de Juventude.

Ainda sobre a “explosão” de vagas em cursos de Animação Sociocultural…

A propósito do “post” anterior José Conde deixou um comentário (o qual muito agradeço) que transcrevo a seguir:

"A questão parece-me bem mais complexa do que à primeira vista pode parecer e está longe de ser apenas uma simples questão de números. Existem diferentes problemas relacionados com esta explosão de oferta de vagas nos cursos de animação, nomeadamente o facto de não haver qualquer estudo objectivo sobre a capacidade do mercado absorver estes futuros profissionais - o que se pode avaliar pelo número de recém licenciados que aparecem a procurar trabalho - bem como pela completa confusão que é a multiplicidade de planos de estudo que pouco ou nada têm a ver uns com os outros nos diferentes estabelecimentos de ensino; uma completa anarquia.
Aquilo que era, até há pouco tempo, um curso com empregabilidade, está a transformar-se, a uma velocidade meteórica, num curso com níveis de qualidade duvidosos e com perspectivas de empregabilidade muito cinzentas.
Alguém nos pode dizer porquê?"

O mecanismo de financiamento do ensino superior faz depender as ajudas às universidades e aos politécnicos do número de alunos colocados nos cursos que ministram. Este facto leva a que as escolas optem por oferecer cursos em áreas para as quais há procura por parte dos candidatos, independentemente de existirem, ou não, reais hipóteses de empregabilidade para os que frequentarem e concluírem tais cursos e independentemente de os estabelecimentos de ensino possuírem os recursos indispensáveis à adequada formação de profissionais nessas áreas. Quanto aos jovens importa ter presente, que para além de questões vocacionais, procuram cursos com base na empregabilidade expectável de uma ou outra área de formação. No entanto, é frequente, existir um desfasamento entre a empregabilidade expectável no momento em que se candidatam ao ensino superior e a empregabilidade real após os 3, 4 ou 5 anos de formação. Isso aconteceu com aqueles que há 3, 4 ou 5 anos obtiveram uma colocação em Animação Sociocultural e que hoje, terminados os seus cursos, se confrontam com sérias dificuldades de colocação no mercado de trabalho, como certamente acontecerá dentro de 4 ou 5 anos com aqueles que agora começaram a frequentar os também, cada vez em maior número, cursos de Serviço Social (ver a este propósito a reflexão de Avelino Bento aqui).

Importaria, por isto, rever com atenção os mecanismos que enquadram a abertura e o funcionamento de cursos superiores de modo a ajustar a formação às reais necessidades de profissionais existentes no país, ou pelo menos, a informar com rigor os jovens que se candidatam das expectativas reais de empregabilidade no termo da sua formação informando-os, nomeadamente, do número de profissionais que serão formados até eles concluírem os seus cursos.

04 outubro 2006

Animação: Números para reflectir...

No ano lectivo 2006/2007 os estabelecimentos públicos de ensino superior portugueses vão ministrar 15 cursos na área da animação (social, cultural, educativa, artística, turística e desportiva). Para esses cursos estavam, à partida, disponíveis 523 vagas. Da primeira fase de colocações sobraram 199 vagas (disponíveis para a 2ª fase de candidaturas ao ensino superior). Ou seja 62% das vagas iniciais foram preenchidas na primeira fase.

Serão o número de cursos e de vagas na área da animação ajustados às necessidades e à realidade do país?

E por falar em números. Este espaço recebeu em Setembro (Google Analytics) 869 visitas, ou seja quase 30 visitantes diários. A maioria dos que aqui chegam, continuam a proceder de mecanismos de busca (Google: 74%; Sapo: 5%) na sequência de pesquisas relacionadas com animação sociocultural. Quase 1/4 daqueles que abriram este blogue em Setembro já o haviam feito antes. Confesso que estes números constituem um estimulo para continuar por aqui...

03 outubro 2006

Contributos para o PNJ: Voluntariado Jovem

O estado reconhece a importância social do voluntariado tendo, para o efeito, produzido legislação (Lei n.º 71/98 de 3 de Novembro e Decreto-Lei n.º 389/99 de 30 de Setembro) que o enquadra e onde se reconhecem direitos e obrigações das entidades promotoras de projectos de voluntariado e daqueles que prestam serviço voluntário.

Neste, como em muitos outros domínios, os problemas não são a omissão ou a lacuna legislativa, mas antes alguma incapacidade para implementar, com adequação e eficácia, as medidas concretas que permitam a observância de princípios e de normas e a prossecução de objectivos que todos reconhecemos como válidos e pertinentes.

Com efeito a realidade parece apontar para a necessidade de promover mais e melhor o voluntariado, a qual passa, em nosso entender, por um maior reconhecimento social da importância do trabalho voluntário, traduzida na concessão de vantagens não-materiais, mas susceptíveis de se constituírem em estimulo para a adesão quer dos jovens, quer da população em geral.

O estímulo e o reconhecimento social do voluntariado pode, mas não deve, em nosso entender, passar pela atribuição ao voluntário de benefícios materiais (bolsas, dinheiro de bolso, ou outras formas de retribuição pecuniária) sob pena de subverter o próprio conceito de voluntariado. Ainda que se possa dizer que tais contribuições se destinam a ressarcir o voluntário das despesas inerentes à prestação do seu trabalho de voluntário, a realidade é que elas acabam sempre por ser entendidas como “remuneração” seja pelos próprios “voluntários”, seja por aqueles que os rodeiam. Obviamente que a legislação actual é adequada quando prevê que o voluntário seja ressarcido por despesas realmente efectuadas (transportes, alojamento, alimentação, vestuário, entre outras) mas defendemos que se deveria optar sempre pelo fornecimento gratuito dos serviços e dos bens materiais indispensáveis ao exercício de funções de voluntariado.

Assim, em nosso entender e no que concerne directamente ao voluntariado juvenil, um maior reconhecimento social do trabalho voluntário deveria ser traduzido na concessão de vantagens não-materiais, mediante a implementação de um sistema de registo e de certificação de trabalho voluntário (caderneta do voluntário).

Algumas propostas concretas de vantagens que poderiam ser concedidas a jovens voluntários: emissão gratuita e/ou a preços reduzidos de cartão-jovem, alojamento a custos reduzidos e/ou gratuito em unidades de turismo juvenil; acesso em condições de vantagem/prioridade a programas/actividades promovidos/apoiados por serviços de juventude da administração central, regional e local; e, ainda que de mais difícil implementação, vantagens no acesso ao ensino superior e profissional e, até, a empregos públicos.

Ainda neste âmbito, consideramos pertinente a divulgação e a dinamização mais eficaz o sistema “Voluntariado Jovem” de modo a aumentar a oferta de projectos por parte de entidades promotoras susceptíveis de integrar jovens voluntários, a aumentar o número de jovens inscritos e a agilizar os processos de colocação desses jovens. Para conseguir estes propósitos dever-se-ia reforçar a articulação e coordenação entre os serviços regionais de juventude, as autarquias, as instituições e as redes públicas e privadas com actuações na área sócio comunitária.

Nota: Tal como havia escrito antes, inicio hoje a publicação neste blogue dos contributos que estou a elaborar e a colocar na página respectiva do Programa Nacional de Juventude.