13 novembro 2006

Edição de Setembro da “Revista de Estudios de Juventud”

A edição nº74 da revista do INJUVE, editada pelo Instituto da Juventude dos nossos vizinhos espanhóis, está disponível para consulta on-line. Este número é dedicado ao tema: “Jovens e Educação Não-formal”.


Os editores definem a Educação Não-formal como “un proceso educativo voluntario, pero intencionado, planificado, pero permanentemente flexible, que se caracteriza por la diversidad de métodos, ámbitos y contextos en los que se aplica”.

A publicação está dividida em três partes. A primeira é uma introdução peral ao tema da Educação Não-formal. A segunda parte compreende artigos sobre as áreas mais representativas do trabalho realizado com jovens na área da Educação Não-formal: A educação ambiental, a educação para a saúde, a animação sociocultural, a educação profissional, a educação para os valores e a educação social de crianças e jovens em risco. Na terceira parte da revista são apresentadas algumas experiências práticas de educação não-formal. No final desta edição uma valiosa, porque extensa e diversificada, bibliografia sobre a temática.

Entre os artigos publicados nesta edição um destaque para o escrito por Maria del Mar Herrera Menchén com o título “La animación sociocultural:una prática participativa de educación social”.

Neste artigo a autora descreve a Animação Sociocultural desde os seus primórdios em Espanha, analisando as suas relações com os conceitos de Educação Popular e de democratização da cultura e apresenta as diferentes perspectivas da Animação Sociocultural: a Educação no Tempo Livre, a Gestão Cultural e a acção sociocultural. De seguida, a autora procura definir Animação Sociocultural privilegiando o enfoque na vertente comunitária e de desenvolvimento social. No final do artigo é apresentada alguma informação sobre a formação de animadores socioculturais em Espanha. Um artigo certamente muito útil para aqueles que por aqui passam em busca de definições do conceito de Animação Sociocultural.

Uma pequena nota provocatória dirigida a todos, em geral, e a ninguém, em especial: Quando é que teremos uma publicação destas em Portugal?

10 novembro 2006

Juventude em Acção

Foi adoptado no passado dia 25 de Outubro de 2006 o novo Programa “Juventude em Acção” que irá decorrer entre 2007-2013, através do qual a União Europeia dá continuidade ao antigo programa “Juventude”.

O Comissário Ján Figel’ afirmou que “este novo programa tem o objectivo de encorajar os jovens a trabalharem juntos para aquisição de novas competências através de actividades de educação não-formal, para um projecto comum, para a defesa das culturas, para um futuro de prosperidade, entendimento e paz. Promove-se a ideia de pertença à União Europeia, a coesão social e o diálogo intercultural quer dentro quer fora da Europa”

O novo programa “Juventude em Acção”, que vigorará entre 2007 e 2013, irá contemplar as seguintes acções:

Juventude para a Europa
Esta acção visa apoiar os intercâmbios de jovens, no intuito de aumentar a sua mobilidade, as iniciativas de jovens e os projectos e actividades de participação na vida democrática que permitam desenvolver a sua cidadania e a compreensão mútua entre a juventude.

Serviço Voluntário Europeu
Esta acção visa reforçar a participação dos jovens em actividades de voluntariado de diversos tipos, dentro e fora da União Europeia.

Juventude para o mundo
Esta acção destina-se a apoiar os projectos com os países parceiros do programa, nomeadamente o intercâmbio de jovens e animadores socioeducativos, o apoio às iniciativas que reforcem a compreensão mútua dos jovens e o seu sentido da solidariedade, bem como o desenvolvimento da cooperação no domínio da juventude e da sociedade civil naqueles países.

Animadores socioeducativos e sistemas de apoio
Esta acção visa apoiar os organismos activos a nível europeu no domínio da juventude, designadamente o funcionamento das organizações não governamentais de juventude, a sua articulação em rede, o intercâmbio, a formação e a ligação em rede dos animadores socioeducativos, a informação dos jovens e a implantação de estruturas e o lançamento das actividades necessárias à consecução dos objectivos do programa.

Apoio à cooperação política
Esta acção visa organizar o diálogo entre os diferentes intervenientes do mundo da juventude, em especial os jovens, os animadores socioeducativos e os responsáveis políticos, contribuir para o desenvolvimento da cooperação política no domínio da juventude e efectuar os trabalhos e as ligações em rede necessários a um melhor conhecimento do domínio da juventude.

O programa destina-se a jovens entre os 15 e os 28 anos (em alguns casos entre os 13 e os 30 anos) oriundos da União Europeia e de fora a desta.

Não posso deixar de chamar a atenção daqueles, animadores ou não, que trabalham com jovens e com organizações juvenis para as oportunidades que este programa abre no apoio a projectos de intercâmbio, de voluntariado e, também, na construção de percursos formativos nestas áreas de trabalho. Oportunidades que podem, e devem, ser aproveitadas por todos nós.

PS: Para informações complementares sobre este programa os sites de referência são, obviamente, o Portal Europeu da Juventude e o Portal da Juventude.

09 novembro 2006

Parlamento dos Jovens

O “Parlamento dos Jovens” é um novo programa que surge da fusão das iniciativas “A Escola e a Assembleia” organizada pela Assembleia da República e “Hemiciclo", Jogo da Cidadania”, organizado pelo IPJ.


O novo programa, que resulta de uma parceria entre a Assembleia da República, o Instituto Português da Juventude, as Direcções Regionais de Educação (ME) e as Secretarias Regionais da Educação e Juventude das Regiões Autónomas, tem como objectivo fundamental incentivar o interesse dos jovens pela participação cívica e política. Pretende, também, dar a conhecer o significado do mandato parlamentar e o processo de decisão do Parlamento, enquanto órgão representativo de todos os cidadãos portugueses e Incentivar as capacidades de argumentação na defesa das ideias, com respeito pelos valores da tolerância e da formação da vontade da maioria.

Na prática o programa pretende reproduzir o funcionamento parlamentar, sendo que este ano, a temática em debate (escolhida pelos promotores) é, para os alunos do secundário, o "Insucesso e abandono escolar".

Não me vou alongar em comentários sobre a maior, ou menor, adequabilidade e eficácia deste tipo de programas face aos objectivos que pretendem atingir e aos públicos a que se dirigem. Destaco, apenas, o facto de me causar alguma estranheza que um programa destinado a jovens, e que ambiciona promover a participação cívica e política da juventude, tenha um regulamento com 27 (sim são mesmo 27) páginas!!! A versão para os alunos do básico é mais leve, pois só tem 25 páginas… Muito menos páginas do que as que tem a Constituição da República é certo, mas ainda assim… E até é bem provável que a intenção seja pedagogicamente justificada pelo facto de se dever habituar os jovens a lidar com documentos legais longos, complexos e de difícil compreensão, os quais são uma das imagens de marca do nosso país.

Paradoxos habituais de políticas e programas nacionais dirigidos a uma juventude que, quem sabe, até é capaz de existir por aí!

PS: A participação dos jovens neste programa operacionaliza-se nos estabelecimentos de ensino que frequentam (básico ou secundário), os quais se podem inscrever aqui até ao dia 16 de Novembro.

08 novembro 2006

Novos blogues de Animação Sociocultural

Descobri dois novos blogues dedicados à animação sociocultural, que passo a partilhar convosco.

La Maleta” é assinado por Rogério Duarte Silva, de Borba, e define-se como “um espaço de encontro e intervenção no âmbito da animação educativa e sociocultural”. No seu primeiro post o autor escreve que o blogue “ tem por objectivo continuar a investir, por um lado, na nossa formação enquanto Licenciados em Animação Ed.Sociocultural, partilhando experiências, projectos, dúvidas, sonhos e desejos, e por outro lado, solidificar a amizade, transformando os momentos e alegrias que vivem nas nossas memórias, como o marco para o nosso crescimento enquanto homens e mulheres livres, conscientes e solidários... que lutam... por um mundo diferente”.

Ser Animação” é a designação do blogue de “um grupo de jovens pertencentes ao 2º ano do curso superior de Animação Sociocultural, leccionado no Instituto Superior de Ciências Educativas em Odivelas”. Os autores afirmam que o seu blogue “servirá para esclarecer a finalidade da Animação Sociocultural, que muitos ainda confundem com actividades feitas por palhaços. Animação Sociocultural é mais do que isso e é isto que este blog pretende mostrar”.

Para os autores destes dois novos blogues endereço votos de que se mantenham dinâmicos e que, desse modo, possam contribuir para uma maior visibilidade da Animação.

07 novembro 2006

Formação para Animadores de Tempos Livres

Nos dois últimos fins-de-semana tive a oportunidade de orientar, em Évora, uma acção de formação para Animadores de Tempos Livres promovida pela APCC – Associação para a Promoção Cultural da Criança.

Tenho lido por aí alguns textos muito críticos acerca destas formações de curta duração, através das quais os participantes obteriam “qualificações” para o desempenho de funções de animação. Tais afirmações, e o facto de estar envolvido em acções que poderiam ser incluídas nesse rol, merecem da minha parte alguns comentários.

Antes de mais importa esclarecer que nem eu, nem a entidade que promoveu este curso, o consideramos como susceptível de constituir uma certificação para o exercício de funções de animação de actividades de tempos livres. As competências necessárias para o exercício destas funções não podem obviamente ser trabalhadas em apenas 30 horas de formação. Entendemos estas acções de formação como um possível elemento formativo que tem de ser necessariamente complementado com outras formações.

Esta acção de formação para (e não de) Animadores de Tempos Livres que concebemos, e que temos vindo a realizar de quando em vez, destina-se preferencialmente a participantes que já exercem funções de animação de grupos de crianças e de jovens no contexto das actividades de tempos livres. O que pretendemos é que esta formação se constitua como um momento em que, a partir da experiência prática desses indivíduos, se produzam reflexões que possam contribuir para a melhoria do seu desempenho. Apostamos principalmente em reforçar o conceito de que as actividades de tempos livres têm um potencial educativo, que pode, e deve, ser amplamente aproveitado. Consideramos que as actividades que se desenvolvem com crianças e jovens, neste âmbito, se devem fundamentar e articular num projecto educativo devidamente fundamentado e articulado. Pretendemos, também, que esta formação se constitua como uma peça capaz de interessar e motivar os participantes para outros percursos formativos, na convicção que nesta área há uma necessidade de formação contínua e permanente.

Duas notas finais em relação à formação que acabei de realizar:

  • Expressar a enorme satisfação que tive em trabalhar com um excepcional grupo de formandas (desculpa-me Rui, mas estás em minoria). São grupos como este que me levam a persistir na realização destas acções, pela disponibilidade, interesse e motivação que revelam, pela forma empenhada e activa como se envolvem em todos os momentos formativos;
  • Agradecer á APCC por me continuar a proporcionar oportunidades de desenvolver um trabalho formativo com grande liberdade e autonomia para testar experimentalmente modelos, fórmulas e formatos de formação.

02 novembro 2006

Halloween

O “halloween”, foi este ano assinalado em Portugal em centenas, talvez milhares, de estabelecimentos de ensino e de centros de actividades de tempos livres.



Decorações diversas, máscaras, abóboras, docinhos, partidas serviram para “comemorar” um acontecimento que tem muito pouco a ver com a nossa cultura e com as nossas tradições. Consequências da globalização, do marketing pró-consumo, mas, também e especialmente, de uma atitude acrítica de muitos daqueles que trabalham com crianças e jovens neste país que possui uma imensa cultura popular que pouco a pouco se vai perdendo e desfigurando…