22 agosto 2007

A propósito de Participação Social e Manifestações

A foto que ilustra este post foi por mim captada em Julho passado na Puerta del Sol em Madrid e documenta uma manifestação de uma organização que não identifiquei contra as touradas. Quando captei algumas imagens da referida manifestação fi-lo a pensar que seriam interessantes para ilustrar um artigo em que abordasse a questão da participação social. Afinal, um tópico imensamente caro a todos aqueles que trabalham na área da Animação Sociocultural.

Desconheço se a manifestação a que assisti era completamente legal no quadro jurídico espanhol, mas provavelmente era já que não vi as autoridades policiais que andavam por ali intervir. Os jovens participantes na referida manifestação, que como a imagem documenta tinha o sei quê de performance artística, não me pareceram estar a cometer qualquer acto ilícito. Sei apenas que a referida manifestção despertou a curiosidade de largas centenas de traseuntes, turistas na sua grande maioria, aos quais os organizadores facilitavam o acesso para fotografar e filmar. Desconheço, igualmente, o verdadeiro impacto desta manifestação na divulgação das ideias anti-tauromáticas dos seus participantes. Mas, e naturalmente não querendo estabelecer nenhum nexo de causa-efeito com a manifestação que presenciei, recordei-me dela ao ler esta semana na comunicação social que a estatal TVE deixou ou vai deixar de difundir touradas.


Recebi ontem na caixa de comentátios deste blogue um pedido de divulgação por parte da ADIM - Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz para uma situação que aquela entidade considera ser uma atentado ao património histórico daquela histórica vila alentejana perpetuado por uma entidade pública (Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz) e por privados. Toda a informação sobre a situação denunciada por esta associação pode ser aqui consultada.


A manifestação anti-tauromática a que assisti em Madrid e a denúncia pública de alegados atentados ao património histórico de Monsaraz são exemplos, naturalmente muito distintos nos meios utilizados, de Participação Social, de acção colectiva visando a denúncia, a chamada de atenção, a introdução de mudanças em situações consideradas indesejadas por tais grupos sociais. Participação Social, que todos os políticos costumam dizer que pretendem estimular e apoiar, desde que, evidentemente, não vá contra as suas ideias, propósitos ou práticas.

A destruição de um campo de milho trangénico no Algarve na semana passada é, também e na mesma linha dos dois exemplos anteriores, um exemplo de Participação Social. Naturalmente e neste caso a maior diferença está na ilicitude do meio utilizado (invasão e destruição de propriedade privada) pelos manifestantes para chamar a atenção para as suas ideias. Aqui, como em quase tudo, os fins jamais podem justificar os meios. Seja como for, e que fique claro a minha total discordância face aos meios utilizados pelos jovens que destruiram o campo de milho em Silves, não deixa de ser paradoxal constatar que os mesmos tenham conseguido obter um inusitado eco, por parte da comunicação social, na divulgação das suas ideias. Entretanto as organizações que procuram agir com respeito pelas normas legais pouca ou nenhuma atenção despertam na mesma comunicação social, para as causas que procuram defender. Causas que, frequentemente, são bem mais sérias e preocupantes para o nosso futuro colectivo do que a utilização de trangénicos na agricultura.

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